UBS Riacho Verde

Esse projeto foi pensado para contribuir com a nova política de humanização do SUS. Nessa visão, a Unidade básica de Saúde (UBS) é um local de acolhimento e aconselhamento, sendo muito mais um local onde se cuida do que onde se cura. Ela não possui nenhum tipo de serviço de pronto atendimento, não faz cirurgias, nem atendimentos ou exames complexos. Basicamente, destina-se a ser uma continuação do Programa de Saúde da Família (PSF), onde os agentes de saúde do governo percorrem as moradias de uma área para auxiliar a população. Nesta UBS, a grande demanda são campanhas de vacinação, acompanhamento de gestantes e atendimento odontológico. Desse pressuposto, nasceu a ideia de um local que fosse mais como uma casa e menos como um hospital. Um lugar onde as pessoas ficassem à vontade e que também interagisse de outras formas com a comunidade, reforçando o caráter holístico da prevenção e também sua condição de direito e não de caridade. Um lugar para acolher e ser acolhido. Um lugar privilegiado de ensino e de aprendizagem, nunca um serviço menor.

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Maximizando recursos: Promovendo saúde com áreas verdes

A implantação do projeto resulta da adequação ao terreno e propõe uma edificação longilínea e térrea e integrada com um parque que recobre toda a área restante, visando sustentabilidade, menor impacto ambiental e custo. A arquitetura é intencionalmente simples e eficiente, deixando o protagonismo aos usuários, à natureza e à comunidade do entorno.

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A extrapolação, pelo parque, dos limites físicos construídos é a resposta arquitetônica ao uso da UBS como um espaço de promoção de saúde e bem-estar e não apenas um espaço de cura. O espaço verde aqui proposto é uma extensão da atenção integral à saúde, proporcionando uma recepção e espera mais acolhedoras e diversificadas.

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O parque permeia as áreas de espera e leva pequenos jardins para dentro da edificação, fazendo uma gradação entre as esperas internas e protegidas até a total imersão na natureza. Ele melhora toda a ambiência dos serviços prestados e funciona como um refúgio democrático de encontro e integração entre todos seus usuários, sejam eles profissionais, pacientes e acompanhantes ou pessoas oriundas da comunidade.

A diluição das esperas no parque resulta no término das filas. O espaço é fluido e orgânico, um espaço para permanecer e não apenas de esperar, uma ode ao bem-estar.

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O paisagismo do parque não é apenas estético, mas sim utilitário. Ele é um membro ativo e indispensável do projeto. Concebido apenas com espécies nativas e disponíveis no local, ele ajuda a transformar o microclima do terreno e do entorno, tornando as temperaturas mais amenas e também contribuindo para melhorar a qualidade do ar.

A opção de um paisagismo com utilização de espécies nativas e majoritariamente arbóreas como ipê, jatobá, angelim, sucupira ou similares diminui o custo de implementação e gera uma manutenção mínima; tanto no parque como nos estacionamentos.

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Ciente de que a vegetação possui seu próprio tempo de crescimento para fornecer a transformação de clima almejada, é proposto um estado intermediário de projeto onde os locais futuramente sombreados são permeados com guarda-sóis metálicos fixos.

Estes, permanecerão como coadjuvantes do espaço até o momento em que as árvores atinjam uma altura suficiente para que o parque funcione e então serão removidos. O parque adentra as áreas de recepção e espera, sendo estas previstas para permanecerem abertas durante o funcionamento da unidade.

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Apesar de existirem alguns bancos fixos construídos em conjunto com os canteiros internos, é prevista a utilização de cadeiras móveis.

As cadeiras utilizadas podem ser arranjadas de diferentes maneiras dentro do espaço e mesmo serem levadas para o exterior proporcionando uma maior autonomia e descontração. Para o fechamento noturno ou eventual quebra-ventos são previstos painéis metálicos perfurados e portões nos corredores.

Apesar da espera dos pacientes comportar o tamanho exigido dentro de sua área coberta, ela se espalha pelo parque, tendo sua concentração dispersada pela diminuição de assentos conforme se distancia da edificação, tornando mais fácil o rápido acesso aos consultórios.

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Devido à natureza aberta dos edifícios, à utilização de ventilação cruzada e à imersão do edifício no parque, o uso de ar-condicionado central é dispensado. O aproveitamento de luz e ventilação naturais é aumentado pelos corredores e áreas de espera abertos.

A ventilação cruzada de várias maneiras: a cobertura é elevada em relação às lajes de fechamento, as janelas são voltadas para corredores abertos e ligados diretamente às áreas de espera perpendiculares aos ventos dominantes.

A cobertura de telhas metálicas avança para fora dos limites das paredes para evitar a insolação direta nas janelas e preservar a temperatura interior. A distribuição das esquadrias de alumínio com 1, 2 ou 3 módulos geram variações de fachada e garantem a plena ventilação.

A estrutura simples permite a adoção de várias soluções: concreto armado moldado in loco, pré-moldado ou alvenaria estrutural, sem mudanças no projeto.

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A chegada à Unidade Básica de Saúde se dá por um acesso pedestre voltado ao estacionamento público, um acesso pedestre que liga o parque à praça e uma entrada compartilhada entre pedestres e carros. Em toda a extensão do parque o carro é tolerado, sendo o pedestre o usuário principal.

A sua utilização por todas as pessoas permite mesmo a modificação da relação paciente/profissional de saúde, possibilitando encontros e ensinamentos ao ar livre entre estes, ou mesmo entre os próprios profissionais.

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O aproveitamento do espaço exterior também possibilita a inclusão de uma abordagem holística da promoção da saúde, com o uso de parquinhos infantis e equipamentos para exercícios físicos, ou mesmo espaços que podem ser compartilhados com a comunidade para aulas de ioga, alongamento ou tai chi chuan por exemplo.

O auditório se abre para um pequeno anfiteatro e pode aumentar sua área se unindo com a sala lateral, o que permite sua utilização por um público maior e mesmo pelos moradores das redondezas.

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Finalmente, transformar um edifício público em um espaço verde e comunitário contribui para que o projeto transcenda os limites físicos de seu terreno, melhorando a qualidade de vida de todo o entorno quer seja no âmbito social, ecológico ou mesmo de segurança. Os benefícios urbanos e ecológicos promovidos por ele se estendem mesmo aos moradores que não são seus usuários diretos e valorizam a região como um todo, resultando numa maximização dos recursos públicos investidos.

Project/Projeto: Mario Francisco arquitetura & Uncreated.net

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